Somos convidados anualmente a nos reunirmos e confraternizarmos com amigos de ideal de diversas regiões do Brasil, e até de fora dele. Resistimos por um, talvez 2 anos, mas uma hora cedemos ao convite. Convite esse que tem como abre-alas a diversão, a oportunidade de fazer novos amigos. Sabemos que participaremos de algumas atividades para discutir determinado assunto, também. Quem já participou de um Encontro Regional tem alguma ideia do que esperar do Encontro Geral, mas logo descobre que os dois não são tão semelhantes.
A primeira coisa que se observa é o número do quarto, 5 vezes maior de participantes em relação a um Encontro Regional. Você observa aquelas pessoas com ar receoso. Você nunca diria que qualquer uma delas é espírita, ou cristã, se as visse na rua. Você está no meio de uma multidão, em um caldeirão de estilos de vestimenta, de gostos, de personalidades. No meio de um mar de gente que aparentemente não tem nada em comum. Mas o que as aparências dizem, afinal de contas? O essencial é invisível aos olhos, não é mesmo?
Nas atividades somos provocados a olharmos para nós mesmos, para nossas atitudes, para o nosso passado e para o nosso futuro. Uma oportunidade de examinarmos com franqueza nossos erros e vícios. E encontramos conhecimento para corrigi-los. Encontramos ferramentas e amparo para expurgarmos de nós mesmos os males que acabamos de reconhecer. E isso só nós mesmos podemos fazer.
No quarto descobrimos uma família temporária. Mas, não é a nossa própria família, também, temporária? Nossos colegas acanhados, reservados, em um dia se tornam verdadeiros irmãos. Que riem juntos, discutem juntos, e aprendem um com o outro. Lembranças e lições que levamos para a vida.
Mas, há um momento em que se descobre o verdadeiro significado do Encontro Geral, e da própria Mocidade. Aquele momento em que vem tudo à tona ao mesmo tempo. Um dos últimos momentos no nosso paraíso ideal, em que todos juntos nos entregamos a Deus. O momento em que nossas auras vibram junto com as cordas dos violões. As palavras cantadas nos tiram o chão, mas nos dão asas. E é quando as lágrimas brotam nos olhos que vemos as coisas como elas são, em que vemos todo próximo como um irmão. Podemos abraçar com carinho sincero qualquer pessoa que aparecer na nossa frente, e quase podemos tocar os laços de amor que nos unem aos nossos amigos de jornada.
Alguns tentam resistir a essa estranha e poderosa sensação. Outros se entregam por inteiro, pois sabem que essas lágrimas nos lavam a alma. Como uma chuva de verão que nos refresca num dia de calor, que limpa o ar e dá vida à terra. A gratidão pelos amigos e pelas oportunidades, o amor pleno por nossos companheiros, a felicidade de estarmos ajudando os irmãos dos dois planos e nós mesmos, a dor da humanidade sofredora, e a esperança no futuro, tudo o que já foi sentido pelo homem vem a nós de uma vez só de forma arrebatadora. Nos tornamos Um. Sentimos por maravilhosos minutos a verdadeira comunhão com Deus. Talvez essa seja a sensação que temos ao conseguir cumprir a única coisa que Jesus nos pediu: “amai-vos uns aos outros”. Porque ao amar, dividimos nossos fardos e somamos nossas alegrias. E Mocidade é amor, Mocidade é uma trilha certa em direção ao abraço do Mestre. Mocidade é caminho, é verdade e vida.
Lucas Delfin – CEAE Santos















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